EPM inicia capacitação para formação de grupos reflexivos para homens autores de violência contra as mulheres
Adriano Beiras foi o expositor.
Com foco na formação de profissionais que atuarão em grupos reflexivos para homens autores de violência contra as mulheres, começou hoje (25) o curso Capacitação para a formação de grupos reflexivos para homens autores de violência contra as mulheres, da EPM. A proposta é oferecer preparação teórica e sensibilização para a implantação e o fortalecimento dos grupos nos municípios. A aula inaugural foi ministrada pelo professor Adriano Beiras.
Na abertura, a desembargadora Flora Maria Nesi Tossi Silva, coordenadora da Coordenadoria da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do Poder Judiciário do Estado de São Paulo (Comesp) e do curso, chamou atenção para a necessidade de ampliar não apenas a quantidade, mas também a qualidade dos grupos reflexivos. Ela explicou que esse trabalho não deve ser compreendido como uma simples palestra ou como uma obrigação a ser cumprida pelos autores de violência, mas como uma intervenção especializada, que depende de metodologia, preparação dos facilitadores, articulação em rede e avaliação.
A secretária executiva de Políticas para a Mulher do estado de São Paulo, Cândida Cristina Coelho Ferreira Magalhães, enfatizou o papel dos municípios na implementação dos grupos. Ela afirmou que a formação é uma maneira de transformar as previsões da Lei Maria da Penha em ações concretas.
A importância da participação ativa dos alunos foi destacada pela juíza Adriana Vicentin Pezzatti de Carvalho, integrante da Comesp e coordenadora do curso. Ela enfatizou que a dinâmica do curso foi pensada para proporcionar aos participantes a experiência de diálogo e reflexão que será necessária quando estiverem à frente dos grupos.
A juíza Fernanda Yumi Furukawa Hata, também integrante da Comesp e coordenadora do curso, destacou o envolvimento dos participantes, frisando que a capacitação representa o resultado de um processo de construção que envolveu diferentes equipes e instituições.
Ao falar sobre a experiência paulista, o juiz Wendell Lopes Barbosa de Souza, integrante da Comesp e coordenador do curso, ressaltou que a implantação dos grupos ganhou força nos últimos anos. Ele salientou que a Comesp disponibilizou material sobre o tema em sua página no site do Tribunal de Justiça de São Paulo, com orientações, modelos e referências para quem pretende implementar um grupo reflexivo.
Adriano Beiras discorreu sobre a trajetória e consolidação dos critérios que balizam os grupos reflexivos para homens autores de violência no Brasil. Ele resgatou a história desse campo de trabalho, iniciada com experiências pioneiras de organizações da sociedade civil na América Latina, e mostrou como o tema evoluiu até se tornar, mais recentemente, objeto de normativas do Conselho Nacional de Justiça e de mapeamentos nacionais sistemáticos.
O expositor citou levantamento apresentado ao CNJ, realizado pelo Grupo de Trabalho de Gestão dos Grupos Reflexivos e Responsabilizantes para Homens Autores de Violência Doméstica e Familiar contra as Mulheres, que mostrou um aumento significativo no número de grupos reflexivos em todo o país, passando
de 498 grupos, em 2023, para 704 neste ano. O professor observou que esse crescimento reflete tanto o avanço institucional da política quanto o amadurecimento do processo de mapeamento, que passou a contar com maior adesão dos tribunais de Justiça estaduais ao longo dos anos.
Adriano Beiras também observou que a efetividade dos grupos está diretamente ligada à metodologia empregada e não apenas à existência formal da iniciativa. Ele ressaltou que a intervenção não deve reduzir a violência a um problema de saúde mental ou a um perfil específico de agressor, já que estudos e mapeamentos indicam tratar-se de um fenômeno multifatorial, ligado também a processos amplos de socialização masculina, o que reforça a importância de abordagens interdisciplinares e articuladas em rede.
RL (texto) / BS e LS (reprodução e arte)