EPM inicia o curso ‘O Direito da função pública e o magistrado’
Maria Fernanda Rodovalho e Helena Refosco palestraram.
Com um debate sobre liderança judicial, a EPM iniciou ontem (1º) o curso on-line O Direito da função pública e o magistrado. Credenciado na Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (Enfam), o curso é ministrado para magistrados do Tribunal de Justiça de São Paulo e de outros estados. As exposições inaugurais foram feitas pela desembargadora Maria Fernanda de Toledo Rodovalho e pela juíza Helena Campos Refosco, coordenadora do curso.
Na abertura, o juiz Marcos de Lima Porta, coordenador do curso, representando o diretor da EPM, agradeceu o apoio da direção da Escola e a participação de todos. Ele lembrou que o Direito da função pública é um ramo do Direito Administrativo dedicado à preparação e ao aperfeiçoamento dos agentes para o exercício da função pública. “Esse ramo se preocupa com o aspeto subjetivo dos agentes públicos e não com a função em si, mas com a expertise que eles têm que adquirir para bem exercer a sua função, no caso, de magistrados”, explicou. Ele acrescentou que o curso visa à reflexão sobre a carreira e a atuação dos magistrados e também terá debates sobre cerimonial e protocolos, relacionamento com a imprensa e ética profissional.
Maria Fernanda Rodovalho enfatizou o caráter colaborativo do curso e a importância da reflexão, troca de experiências e união para o aprimoramento da magistratura e para realização de um serviço público de excelência. Ela recordou a reforma administrativa e a incorporação do princípio da eficiência ao setor público, com a substituição do administrador pelo gestor, que deve ser proativo, propor inovações, trabalhar em colaboração e ter o cidadão como cliente. Destacou a importância da formação do gestor, frisando que não existe um líder pronto e que a liderança é um investimento no servidor.
A expositora ressaltou que o juiz também deve ter competência técnica para a gestão de pessoas, deve compartilhar informações e conhecimento e ser orientado para resultados, que não se restringem à produção de sentenças, mas abrangem a sua participação na sociedade. “O juiz não é um agente isolado, é um ator na sociedade e tem que trabalhar para isso seja visível, porque quando temos a visibilidade do nosso trabalho, nossos vencimentos são mais altos, não em dinheiro, mas em reconhecimento”, frisou. Ela salientou que o setor público tem capacidade de formar líderes tão empenhados, capazes de propor soluções e criar valor quanto as empresas privadas. “Existe uma ética, uma ideia de proteção à totalidade da sociedade que só o setor público pode proporcionar”, afirmou. Destacou ainda a diferença entre compromisso e motivação, ponderando que nem sempre as pessoas competentes são comprometidas. “O que nós queremos é gente comprometida, que se mova, se emocione e sinta o valor que é fazer parte do setor público e do Judiciário em especial”, concluiu.
Na sequência, Helena Refosco elencou competências essenciais da liderança judicial, como a escuta ativa, comunicação, capacidade de delegação, gestão de equipes, resolução de conflitos, inteligência emocional, ética, integridade, colegialidade e valorização da diversidade. Ela mencionou atributos como cortesia, humildade, curiosidade intelectual, flexibilidade, serenidade, bom humor e resiliência e citou o livro Mindset para destacar a importância de se enxergar os erros como oportunidades de aprendizagem. Falou também sobre a necessidade de autoconhecimento e sobre a utilização de testes de perfil comportamental para o desenvolvimento pessoal e enfatizou a importância da comunicação empática, desenvolvimento da inteligência emocional e da capacidade de compreender o outro, frisando que a legitimidade das decisões depende da escuta.
Helena Refosco discorreu sobre os métodos de gestão de pessoas, interagindo com os participantes para compartilhamento de experiências sobre gestão das equipes e das unidades judiciais. Falou ainda sobre relacionamento com a mídia e redes sociais, comunicação digital e limites da informalidade, gênero e vieses inconscientes. Por fim, ponderou que liderar significa comunicar o potencial e o valor das pessoas de forma tão clara que elas próprias passem a acreditar em suas capacidades, concluindo com frase de Eleanor Roosevelt: “Bons líderes inspiram as pessoas a terem confiança no seu líder. Grandes líderes inspiram as pessoas a terem confiança nelas mesmas”.
MA (texto) / Reprodução (imagem).