TJSP encerra 1ª Semana da Pessoa Idosa

Palestras sobre envelhecimento e realização de exames.

  

O Tribunal de Justiça de São Paulo encerrou, hoje (2), a primeira edição da Semana da Pessoa Idosa, iniciativa do Programa Novos Tempos - Preparação à Aposentadoria de Magistrados(as) e Valorização dos(as) Aposentados(as), em parceria com a Escola Paulista de Magistratura (EPM), a Diretoria de Apoio aos Servidores (Daps) e a Secretaria de Gestão de Pessoas (SGP). A palestra final, “Ser no EnvelheSer”, foi ministrada pela escritora Muna Zeyn, com mediação da coordenadora do PPA Novos Tempos, desembargadora Maria de Lourdes Lopez Gil Cimino. O evento ocorreu no Salão do Júri do Palácio da Justiça e pôde ser acompanhado virtualmente.

 

Antes da palestra inicial, servidores da área da saúde da Secretaria de Gestão de Pessoas (SGP) realizaram exames como medição de pressão arterial e aferição de glicemia dos participantes, enquanto o juiz Josué Vilela Pimentel (clarinete e cajon) e o servidor Aldo Scaglione (guitarra) apresentavam canções como Blue Moon, Autumn Leaves e Corcovado. 

 

Zeyn abriu o evento observando que existem múltiplos envelhecimentos, que ocorrem de forma muito diferente entre as pessoas e dependem de fatores demográficos, econômicos e sociais. “Em qualquer caso, entretanto, envelhecer não significa perdas. Existe uma ideia a respeito de envelhecimento que confisca o direito da pessoa idosa realizar o que deseja e tem condições de fazer”, apontou.

 

Para a palestrante, o preconceito em relação ao idoso ainda é muito grande e leva a um grande sofrimento. Ela ainda indicou que, em muitos casos, a sociedade trata a pessoa mais velha como alguém indiferente ao que ocorre no mundo, na família ou consigo. “É importante ouvir e respeitar o que o idoso pensa. Não escutar significa cometer uma violência. É errado diminuir o ser humano em sua maturidade”, advertiu. 

 

Programação da semana

A Semana da Pessoa Idosa começou na segunda-feira (28), com abertura do presidente do TJSP, desembargador Francisco Eduardo Loureiro; da desembargadora Maria de Lourdes Lopez Gil Cimino; do coordenador da Daps, desembargador Irineu Jorge Fava; e do diretor da EPM, desembargador Ricardo Cunha Chimenti. Em seguida, o médico Pedro Subtil de Paula falou sobre envelhecimento ativo – saiba mais. 

 

Na terça (29), o dentista Carlos Rosa discorreu sobre sobre saúde bucal, explicando que é na boca que os sintomas iniciais de diversas doenças se manifestam. “Existem estudos que mostram que cada dente está relacionado a um órgão. Se você tem um dente doente, você tem um corpo doente”, destacou. Ele também alertou sobre o mau uso de pontes e dentaduras como causa de perda óssea e irritação da mucosa; e sobre o ronco, que pode gerar apneia e sobrecarga no coração, aumentando o risco de infarto.

 

O psiquiatra Alfredo Simonetti, palestrante do terceiro dia (30), observou os ganhos e as perdas que a tecnologia traz ao envelhecimento. Entre as vantagens, destacou o monitoramento da saúde por anéis e relógios inteligentes, a telemedicina, os aplicativos que lembram o horário dos remédios, as redes sociais e chats de inteligência artificial, que podem reduzir a solidão. Em contrapartida, Simonetti citou o aumento dos riscos de golpes e a necessidade da medicina e da psicologia se atualizarem. “O recurso da IA como chat e meio de conversa vai continuar. Nosso desafio é nos prepararmos para usá-la sem perder o calor da relação médico-paciente.”

 

Na quinta-feira (1º), a professora e instrutora de meditação Ana Nakamune fez uma reflexão sobre os medos do envelhecimento. Ela frisou a coragem de aceitar as mudanças apesar das adversidades. “Trabalhar a aceitação não significa aceitar passivamente desconfortos e limitações, mas entender as novas necessidades do corpo, melhorar o autoconhecimento e desafiar a neuroplasticidade do cérebro”. Na sequência, o chefe da Assessoria Policial Civil do TJSP, delegado Tiago Antonio Salvador, falou sobre golpes e fraudes no ambiente virtual, destacando a necessidade de incentivar a educação digital em qualquer idade. "Por vezes, a pessoa idosa fez uma transição rápida para o mundo digital, o que a torna mais vulnerável. Mas temos que desmistificar a ideia de que a culpa é da vítima. A culpa nunca é dela, mas do criminoso. Independentemente da idade, estamos todos sujeitos à criminalidade”, frisou.

 

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