Curso da EPM discute como simplificar a linguagem jurídica
Comunicação objetiva e uso da IA.
A clareza na comunicação jurídica, sem abrir mão da precisão técnica, foi o tema do curso Linguagem jurídica simples, realizado hoje (9), pela Escola Paulista da Magistratura. A atividade contou com exposições dos juízes Marcos Alexandre Bronzatto Pagan e Danielle Martins Cardoso, coordenadores do curso, e da magistrada Renata Manzini.
Na abertura, o diretor da EPM, desembargador Ricardo Cunha Chimenti, destacou a importância de aproximar a linguagem jurídica da sociedade. “É fundamental termos uma comunicação que seja compreendida pelos nossos jurisdicionados, sem jamais perder a técnica”, afirmou.
Ao abordar as mudanças na comunicação e seus reflexos no Direito, Marcos Pagan observou que os profissionais da área vivem um período de transição, marcado pelo avanço das tecnologias digitais e da inteligência artificial. Segundo o magistrado, é preciso acompanhar essas transformações e buscar uma linguagem mais clara, sem deixar de respeitar as particularidades e o rigor da atividade jurídica. “Nós precisamos ser mais concisos, mais objetivos, continuar elaborando as peças com técnica, mas usando a linguagem simples”, afirmou.
Danielle Cardoso apresentou exemplos do cotidiano jurídico para mostrar como o excesso de expressões rebuscadas pode dificultar a compreensão de textos e decisões. A juíza ressaltou que a linguagem simples exige atenção não apenas à escolha das palavras, mas também à forma como as informações são organizadas. “Um texto público não existe apenas para registrar uma informação. Ele é produzido para alguém”, disse.
Por fim, Renata Manzini alertou para os riscos do uso da inteligência artificial na escrita jurídica. A juíza lembrou que, embora a ferramenta pareça pensar, ela apenas estabelece conexões estatísticas. Segundo ela, o problema surge quando a tecnologia passa a estruturar o pensamento, a decisão e a linguagem no lugar de quem escreve. "Ela pode ser muito útil, mas pode também trazer um grande problema se a gente deixar que ela estruture o pensamento".
Comunicação Social - RL (texto e fotos)