Metodologia baseada na confiança para a proteção da infância e juventude é tema de palestra na EPM
Juíza norte-americana Elizabeth Watkins foi a expositora.
Práticas judiciárias voltadas ao atendimento de crianças e adolescentes impactados por traumas, negligência e rompimento de vínculos familiares foram debatidas hoje (7) na EPM na palestra TBRI – Trust-based Relational Intervention (Intervenção Relacional Baseada na Confiança) – práticas judiciárias informadas pelo trauma na proteção de crianças e adolescentes, Promovida em parceria com a Coordenadoria da Infância e da Juventude do Tribunal de Justiça de São Paulo (CIJ) e a Associação Brasileira Beneficente Aslan (ABBA). A exposição foi feita pela magistrada Elizabeth Watkins, juíza associada do Tribunal de Proteção à Criança do Vale do Concho, no Texas (EUA).
A abertura foi conduzida pelo juiz Eduardo Rezende Melo, representando o diretor da Escola. Ele agradeceu a presença de todos e ressaltou a relevância do tema para quem atua na área da Infância e da Juventude e "convive diariamente com os desafios e dramas vividos pelas crianças".
O promotor de Justiça Yuri Giuseppe Castiglione, representando o procurador-geral de Justiça do estado de São Paulo, enfatizou que a compreensão dos efeitos do trauma deve integrar a atuação das instituições responsáveis pela garantia de direitos. "É essencial incorporar à atuação judicial e ministerial um olhar informado pelo trauma, capaz de reconhecer as marcas deixadas pela violência e pela ruptura de vínculos", disse.
O coordenador técnico da ABBA, Delton Hochstedler, compartilhou experiências de diferentes países e destacou que a essência da metodologia TBRI permanece válida mesmo em realidades distintas. “Embora as culturas mudem, os princípios permanecem os mesmos", argumentou.
Representando a CIJ, a juíza Maria de Fátima Pereira da Costa e Silva ressaltou que a proteção integral depende da atuação articulada entre todos os integrantes da rede de atendimento. "Crianças e adolescentes são pessoas em desenvolvimento, precisam de toda atenção e precisam ser ouvidos", frisou.
Elizabeth Watkins explicou que sua atuação como magistrada mudou quando percebeu que muitas crianças retiradas de ambientes de violência retornavam anos depois ao sistema de Justiça. Ela afirmou que o modelo TBRI parte da reconstrução da confiança e dos vínculos afetivos de crianças e famílias expostas a situações prolongadas de negligência, abuso ou estresse. A expositora salientou que o fortalecimento dessas conexões é essencial para que a pessoa desenvolva segurança, capacidade de autorregulação e condições para modificar seus comportamentos de forma duradoura.
“Quando sabemos o que está por trás do comportamento de uma criança ou de uma família, conseguimos olhar para aquela situação por uma perspectiva informada pelo trauma e oferecer respostas mais adequadas”, destacou Elizabeth Watkins, acrescentando que a capacitação permanente de magistrados e equipes multidisciplinares é fundamental para promover mudanças efetivas no sistema de Justiça.
RL (texto) / BB (fotos e reprodução)